Já pensou em estar no comando de uma aeronave voando a milhares de pés de altitude? Se sua resposta é afirmativa, você compartilha um sonho que se tornou cada vez mais comum entre os brasileiros. Muitas pessoas aspiram a uma carreira no setor aeronáutico e, naturalmente, buscam informações sobre a remuneração desses profissionais.
A profissão de piloto sempre despertou interesse e admiração, mas nunca esteve tão valorizada quanto nos dias atuais. Segundo informações da International Air Transport Association (IATA), o transporte aéreo de passageiros registrou crescimento de 5,7% globalmente em novembro de 2025.
Com a expansão da aviação regional, um setor em plena efervescência e a demanda crescente por especialistas altamente capacitados, este é um momento estratégico para considerar esta carreira.
A estabilidade econômica é um dos grandes atrativos da profissão. Uma atividade de tamanha relevância e que exige responsabilidade excepcional naturalmente oferece boa compensação financeira aos seus profissionais.
Mas qual é, de fato, a média salarial desses especialistas? Neste conteúdo, você vai descobrir exatamente quanto recebe um piloto atualmente, os diversos elementos que determinam sua remuneração e o caminho para iniciar sua trajetória no universo da aviação.
- 1 Remuneração de pilotos de avião no Brasil: valores médios atuais
- 2 Fatores que impactam a remuneração de um piloto
- 3 Remuneração por categoria e estágio da carreira
- 4 Adicionais e benefícios: o que um piloto recebe além do salário?
- 5 Remuneração de pilotos no exterior: comparação internacional
- 6 Como se tornar piloto no Brasil? Trajetória até começar a receber
- 7 Investimento necessário para se tornar piloto
- 8 Mercado de trabalho para pilotos no Brasil: perspectivas e desafios
- 9 Perguntas frequentes sobre remuneração de pilotos
Remuneração de pilotos de avião no Brasil: valores médios atuais
Vamos direto ao ponto: qual é o ganho de um piloto de avião?
É importante destacar que os valores apresentados representam salários base, sem considerar adicionais e benefícios. No setor aeronáutico, é frequente que a remuneração final recebida pelos pilotos mensalmente inclua complementos que abordaremos adiante.
Para facilitar a compreensão, organizamos as informações por faixas salariais de acordo com cada categoria na aviação. Vale ressaltar que podem ocorrer diferenças entre companhias de aviação regional, doméstica e internacional.
1 – Copiloto (piloto comercial em início de carreira)
Os copilotos, ou pilotos comerciais iniciantes, recebem em média R$ 8.000 no Brasil, conforme dados do Glassdoor. A faixa salarial para esses profissionais varia de R$ 5.000 a R$ 11.000.
2 – Comandantes de linhas aéreas
Os comandantes de companhias aéreas recebem as maiores remunerações do segmento. São eles que comandam os voos comerciais que você encontra nos aeroportos brasileiros e internacionais.
Para esses profissionais, a média salarial alcança R$ 24.000, com variação de R$ 8.000 até valores superiores a R$ 40.000.
É fundamental considerar que a remuneração varia conforme a empresa e o tempo de experiência do profissional.
3 – Aviação executiva
A aviação executiva abrange os voos particulares. Estamos falando de pilotos que operam fora das companhias aéreas convencionais, prestando serviços tanto para pessoas físicas quanto para corporações que possuem aeronaves próprias.
Neste segmento, a remuneração varia de R$ 5.000 a aproximadamente R$ 35.000, com média de R$ 20.000 mensais.

4 – Aviação agrícola
Os pilotos agrícolas trabalham com aeronaves de pequeno porte no agronegócio. Normalmente, suas atividades envolvem pulverização de lavouras.
Neste caso, o salário médio gira em torno de R$ 6.000, com variação entre R$ 4.000 e R$ 8.000.
Fatores que impactam a remuneração de um piloto
Conforme mencionado, apesar da média salarial ser uma referência importante, existem inúmeras variações. Além dos complementos mencionados, diversos elementos podem influenciar a remuneração mensal de um piloto no Brasil:
1 – Categoria da aeronave
De acordo com o Sindicato Nacional de Empresas Aeroviárias, o piso salarial de copilotos e comandantes varia conforme o tipo de aeronave:
- Bimotor turbo-hélice
- Jato narrow body
- Jato widebody
- Outros modelos
Isso significa que, dependendo da experiência e certificação para operar determinados modelos da Embraer, Boeing e Airbus, as remunerações serão distintas.
2 – Tempo de experiência e horas de voo
No setor aeronáutico, a lógica hierárquica e remuneratória funciona de forma similar a outros segmentos econômicos. Quanto maior a experiência e o registro de horas de voo, melhor será o salário.
As horas de voo funcionam como a principal “moeda de troca” dos pilotos. Além de influenciarem o salário, são requisito da Agência Nacional da Aviação Civil (ANAC), seguradoras e operadores.
Na prática, quanto mais horas acumuladas, menor o risco percebido pela empresa. Existem diversos critérios para qualificar essas horas: voos domésticos ou internacionais, tipo de aeronave, linha aérea ou aviação executiva, entre outros.
3 – Certificações e licenças
Além da formação básica, os pilotos precisam obter diversas certificações e habilitações. Por exemplo, a habilitação para pilotar um jato widebody resulta em remuneração superior à de um bimotor turbo-hélice.
4 – Modelo de contratação
O regime de trabalho também impacta a remuneração.
Nas companhias aéreas, os pilotos geralmente são contratados via CLT, o que apresenta vantagens e desvantagens. Embora o salário-base possa ser menor, com escalas 5×2 ou 6×3, há maior previsibilidade de carreira, benefícios e garantias trabalhistas.
Na aviação executiva, os contratos costumam ser diferentes, sem vínculo CLT. É possível receber por diária, por hora de voo ou por projeto. Isso pode elevar o salário-base e proporcionar mais flexibilidade, mas reduzir benefícios e perspectivas de carreira estruturadas.
5 – Modalidade de operação
Por último, a modalidade de operação também determina o salário. Você pode atuar em voos comerciais, regionais, internacionais, cargueiros, offshore, privados, táxi aéreo e outras possibilidades.
Todos esses fatores definem seu regime de contratação e remuneração, juntamente com os demais aspectos citados.

Remuneração por categoria e estágio da carreira
Agora você deve estar se perguntando: quais são as fases da carreira de piloto? Como progredir? E qual a remuneração em cada etapa? Vamos esclarecer tudo para que você compreenda melhor suas perspectivas futuras.
Segundo a Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR), após iniciar em escolas de aviação, aeroclubes ou na carreira militar, você poderá se tornar um Piloto Privado (PP), primeiro passo da jornada aeronáutica.
- Piloto Privado (PP): com esta certificação, você ainda não poderá receber remuneração como piloto
- Piloto Comercial (PC): ao cumprir os requisitos e ser aprovado no exame da ANAC, você avança para um novo patamar. A partir daqui, poderá realizar voos remunerados, principalmente como instrutor. O salário pode variar de R$ 3.000 a R$ 5.000 em média
- Piloto de Linha Aérea (PLA): para atuar em companhias aéreas, é necessário obter o certificado de PLA. Com ele e outras habilitações, você poderá candidatar-se a vagas na aviação comercial
- Copiloto: provavelmente você iniciará em companhias aéreas nesta função. A remuneração fica entre R$ 5.000 e R$ 11.000
- Comandante: ao alcançar esta posição, seu salário pode aumentar significativamente, crescendo conforme suas horas de voo, experiência e certificações. Frequentemente, a remuneração ultrapassa R$ 35.000 mensais
Adicionais e benefícios: o que um piloto recebe além do salário?
Quando falamos sobre remuneração de pilotos, é importante considerar que o salário-base não representa o valor total recebido. Os pilotos podem receber diversos complementos que tornam a profissão ainda mais atraente:
- Horas voadas: o salário corresponde a um mínimo de horas trabalhadas. Horas adicionais são remuneradas separadamente
- Adicional noturno
- Adicional de voo internacional
- Diárias e pernoites: quando o piloto permanece fora de sua base, com valores diferenciados para noites nacionais e internacionais
- Adicional de periculosidade
Importante destacar que nem todos os pilotos recebem todos esses adicionais. Tudo depende da categoria, acordos coletivos e políticas específicas da empresa.
Benefícios corporativos
Além disso, alguns benefícios corporativos podem integrar o contrato, dependendo do regime e da empresa:
- Seguro de vida
- Plano de saúde
- Bônus de entrada e participação nos lucros
- Passagens aéreas
Remuneração de pilotos no exterior: comparação internacional
Você sabia que é possível atuar como piloto em outros países? Mesmo realizando toda a formação no Brasil, você pode participar de seleções internacionais.
É comum que empresas globais recrutem profissionais brasileiros em busca de especialistas qualificados, com experiência e vivência em operações complexas.
Considerando a escassez de pilotos em diversos países, esta pode ser sua oportunidade de realizar o sonho de morar no exterior e receber salários bastante atrativos. Veja a comparação internacional:

Estados Unidos
Atualmente, os Estados Unidos enfrentam uma grande retomada do setor, somada à aposentadoria de muitos profissionais. Como resultado, há enorme demanda por pilotos, que podem ter salários superiores a US$ 200 mil anuais, ou US$ 16.500 mensais.
Em geral, as remunerações variam entre US$ 130.000 e US$ 500.000 anuais.
Porém, você precisará de licenças e certificações americanas, o que pode resultar em formação extensa e custosa.
Oriente Médio
No Oriente Médio, onde operam companhias como Emirates, Qatar e Etihad, frequentemente listadas entre as melhores do mundo, há registros de salários de US$ 5.000 a US$ 32.000 mensais.
Vale destacar que muitas companhias realizam processos seletivos diretamente no Brasil, tornando a oportunidade ainda mais acessível.
Europa
Na Europa, os valores variam bastante conforme a região e nível de experiência. Em média, os salários anuais ficam entre €32.000 e €119.000.
O custo de vida pode ser bastante diferente entre os países do continente, o que explica a grande variação nas remunerações.
Independente da região, é crucial ter cautela antes de converter valores para o real. Embora os números possam impressionar, considere que seu custo de vida não será em moeda brasileira.
Você terá um novo estilo de vida, com despesas diferentes pagas em outra moeda. Portanto, antes de decidir, faça uma análise completa do que significa mudar de país.
Como se tornar piloto no Brasil? Trajetória até começar a receber
Interessou-se pela carreira na aviação civil e quer iniciar sua jornada? Então vamos entender o passo a passo para se tornar piloto no Brasil.
Confira o detalhamento divulgado pela ANAC, seguindo as recomendações da International Civil Aviation Organization (ICAO).
O primeiro passo é se tornar um Piloto Privado (PP). Para isso, você precisará ter:
- Mais de 18 anos
- Ensino Médio Completo
- Certificado Médico Aeronáutico de 2ª classe
Com esses requisitos básicos, você poderá iniciar seus estudos teóricos e práticos, que incluem:
1 – Instrução de Voo – formação prática
Um dos principais requisitos é realizar o curso prático de Instrução de Voo em um Centro de Instrução de Aviação Civil (CIAC) certificado pela ANAC.

2 – Experiência de voo – prática obrigatória
Outro requisito é a experiência de voo. Para solicitar sua licença, você deve comprovar 40 horas de instrução e voo solo, ou 35 horas se realizadas em curso de piloto privado aprovado pela ANAC.
3 – Exame da ANAC
Depois, você poderá realizar o exame teórico da ANAC para piloto privado. Para isso, pode estudar de forma independente ou fazer um curso específico. Um curso teórico de aviação pode ser uma boa opção para direcionar melhor seus estudos.
4 – Certificação de Piloto Comercial (PC)
Conquistou seu certificado de piloto privado? Parabéns! Agora, você precisará continuar a formação para alcançar a licença de piloto comercial e, finalmente, começar a receber pela atividade. Para isso, você terá que:
- Realizar curso teórico de piloto comercial aprovado pela ANAC
- Obter o Certificado Médico Aeronáutico de 1ª classe
- Ser aprovado no exame teórico da ANAC para piloto comercial
- Cumprir a experiência de voo para a categoria de aeronave solicitada
- Passar no exame de proficiência
- Receber instrução de voo por instrutor habilitado, em curso aprovado pela ANAC ou em aeronave privada
5 – Habilitações adicionais
Com sua licença de Piloto Comercial (PC), você já pode atuar e ser remunerado! Contudo, vale investir em habilitações complementares para fortalecer seu currículo e desenvolver competências adicionais que o tornarão um piloto ainda mais qualificado.
Algumas opções incluem:
- Curso de Ciências Aeronáuticas para aprofundamento e diferencial curricular
- Formação EAD
- Cursos de inglês aeronáutico, especialmente para atingir ICAO English Rating nível 5 ou 6
- Cursos específicos para aeronaves Embraer, Boeing e Airbus
- Simuladores de voo
- Simulador homologado
- IFR – voo por instrumentos
- ME-IFR – multimotor
- MLTE/HMNT – multimotor
- INVA – instrutor de voo
- Curso de Jet Training
6 – Acúmulo de horas de voo
Lembra da importância das horas de voo na carreira? Por isso, ao obter sua licença de piloto comercial, pode valer a pena investir no acúmulo de horas.
Assim, você se tornará um candidato mais competitivo para as empresas. Inclusive porque a emissão da licença de piloto de linha aérea (PLA) exige horas mínimas de voo.
Para isso, um dos melhores caminhos é se tornar instrutor de voo!
Investimento necessário para se tornar piloto
Agora que você conhece todo o caminho para realizar o sonho de ser piloto, vale entender os custos envolvidos. Todo o processo pode demandar investimentos significativos, ficando entre R$ 100 mil e R$ 200 mil, exigindo planejamento financeiro adequado.

Mercado de trabalho para pilotos no Brasil: perspectivas e desafios
Percebeu que a área é bastante promissora, certo? Além de todos os aspectos já mencionados, vale destacar que a aviação é um dos setores que mais cresce no Brasil, segundo dados da ANAC.
Somente em 2025, foram transportados 129,6 milhões de passageiros no país, superando o recorde anterior. Os números demonstram que, após a pandemia, o setor já se recuperou e está em plena expansão, refletindo-se na demanda das companhias aéreas.
Cada vez mais, as empresas necessitam de pilotos qualificados para diversas áreas. Não apenas para linhas convencionais, mas também para expandir a aviação regional e atender às demandas da aviação executiva, que está cada vez mais aquecida nas grandes capitais.
Para isso, os profissionais precisam estar preparados para atender às exigências do mercado, e uma boa formação é fundamental para garantir boas oportunidades.
Perguntas frequentes sobre remuneração de pilotos
Para finalizar, vamos esclarecer suas últimas dúvidas sobre a área:
Piloto recebe por hora?
A remuneração depende do tipo de contrato, nem sempre há relação direta entre horas de voo e salário.
Por exemplo, em grandes companhias aéreas, como Gol, Azul e LATAM, o regime contratual costuma envolver CLT com salário-base para determinado número de horas. Horas excedentes são remuneradas adicionalmente, junto com outros complementos.
Na aviação executiva, é bastante comum receber por hora ou por diária.
Qual o salário de um piloto iniciante?
Os salários iniciais costumam variar de R$ 3.000 a R$ 8.000, dependendo da localidade, função específica e empresa contratante.
Quanto tempo até alcançar salários elevados?
A partir da certificação de piloto comercial, pode levar de 4 a 10 anos para começar a receber salários mais altos. É fundamental considerar isso ao pensar em progressão salarial.
Contudo, “ganhar bem” é conceito subjetivo. Pode ser que R$ 8.000 como copiloto iniciante já seja excelente remuneração, ou você só considere bom valores acima de R$ 20.000.
É possível trabalhar internacionalmente?
Sim, pilotos brasileiros podem trabalhar para companhias internacionais. É comum que empresas do exterior, especialmente do Oriente Médio, realizem processos seletivos no Brasil em busca de bons profissionais.

Qual o salário de um comandante de grande aeronave?
O piso salarial de um comandante de jato widebody é de R$ 11.122,70, segundo o SNEA. Contudo, os salários podem ultrapassar R$ 35.000.
No fim das contas, a remuneração de pilotos no Brasil é determinada por um conjunto de fatores e é bastante individualizada. Porém, ao focar em ter boa formação, investir em experiência e certificações e ser estratégico na carreira, você tem tudo para alcançar o sucesso.
Apesar da grande responsabilidade e das exigências, que muitas vezes demandam investimento significativo em formação contínua, ser piloto de avião é uma carreira bastante estável e valorizada. Vale a pena investir nesta profissão!
Se voar é seu sonho, a aviação pode ser seu caminho e cada hora de estudo é um passo mais perto de alcançar o comando. Sendo assim, aproveite que você já conhece a remuneração de pilotos para conhecer o curso de Ciências Aeronáuticas da Unopar!
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